sábado, 29 de agosto de 2009

Para Gradiva...




Um azul de Monet. Soleil Levant...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dazed and confused




Um dia é diferente do outro;
O outro, do um;
Os dois, de um terceiro;
Os três, de todos os outros;
E estes, de hoje.

Oh, deus! Porque me fizeste viver junto a estes contemporâneos?




Tenho percebido cada vez mais a superficialidade nas relações humanas. Quase tudo é raso, quase tudo é muito pouco estimulante. Isso produz em mim uma sensação de desperdício, de tempo jogado fora...

Lembro-me bem de alguns anos atrás, quando as amizades eram mais profundas, quando existia um tipo de confiança genuína, e tudo era muito claro, apesar de complexo. Hoje, ou melhor, de um tempo para cá, parece que a preguiça tomou conta até dos relacionamentos. Falta interesse no outro. Cobra-se muito e dá-se muito pouco.

Esta é a era da individualidade malemolente.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

É possível fazer rima com 'muitas'...

Não quero tratar da vida como fosse
Um bater de ponto pela manhã, outro à tarde.
No meio um desejo que sufoca e arde;
Depois um sonho que de tão amargo é doce.

Não quero chegar ao fim dos meus dias
Como se fosse tudo um dia único e só.
Não quero carregar a carcaça cansada ao pó;
Não quero a alma vazia junto às carnes frias.

Pretendo encher-me de histórias muitas,
E que sejam tantas e tantas quanto espero:
As boas e as más, as pensadas e as fortuitas.

Então, agora planejamos com muito esmero,
Eu e a sorte das coisas caras e gratuitas,
Meu resto de vida e tudo o que quero.

sábado, 15 de agosto de 2009

I




Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

Mario Quintana

Nossa maior vergonha

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Da lei da inexorabilidade

Do arco que se fez do rígido corpo
Lançou-se uma flecha de alma um dia pura.
Foi-se a inocência adentro à noite escura:
Perdeu-se a vida como em um sopro.

domingo, 9 de agosto de 2009

A vida é um dia

Hoje, mais maduro, acho que compreendo o tempo. Imagino seu passar e percebo o meu. Ainda não sei se já é tarde ou noite, não sei da minha hora. Mal vejo meus minutos. Vejo segundos. Aprendi que tudo pode esperar, que mais importante é uma gentileza, que o que urge é o abraço, que o que se foi não se recupera mais. Aprendi também que, se o tempo foi perdido, há sempre de se consertá-lo, de outra maneira, atrasado, mas há de se consertá-lo, ainda que não se possa voltar atrás. Mas essas são as coisas de se pensar. O que se sentir não é tão simples assim.

Não tenho medo da meia-noite, mas já sinto saudades do meio-dia.