Não quero tratar da vida como fosse
Um bater de ponto pela manhã, outro à tarde.
No meio um desejo que sufoca e arde;
Depois um sonho que de tão amargo é doce.
Não quero chegar ao fim dos meus dias
Como se fosse tudo um dia único e só.
Não quero carregar a carcaça cansada ao pó;
Não quero a alma vazia junto às carnes frias.
Pretendo encher-me de histórias muitas,
E que sejam tantas e tantas quanto espero:
As boas e as más, as pensadas e as fortuitas.
Então, agora planejamos com muito esmero,
Eu e a sorte das coisas caras e gratuitas,
Meu resto de vida e tudo o que quero.