Ah, ouvirão de muitos as palavras ácidas da amargura contemporânea. A amargura geral, fruto do isolamento total. O mundo internético consumindo as almas todas, e todas tolas. Dirão que nunca mais verão parques em flor, ou sentirão o cheiro verde da grama fresca. Só nas histórias dos blogs- memória dos velhos terão, desenhadas em canvas digitais, as imagens das crianças rosadas e cheias de dentes brancos correndo, dos cães brincando com seus dentes ainda mais brancos, dos pássaros maviosos, cantando, ainda que sem dentes...
Gritarão, com a certeza dos que retêm em si toda a sabedoria do universo, que as vidas, hoje, são de plástico, e que não caberão no lixo da reciclagem de deus. Creiam. Os solistas, masturbadores dos teclados, enfim, aqueles jovens que foram criados com uma tela de cristal líquido à frente, jamais verão o mundo como o mundo é: finito, mesmo depois de fechada a janela.
Só os velhos de memória analógica sobreviverão à realidade. Mas apenas até que a morte os acolha.
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