Um véu cintilante, pois morada de mil vagalumes, cobre o corpo de minha gueixa. O ar todo em volta é quente, aquecido pelo hálito dos anjos, e cheira a um campo de brancos jasmins, como a pele do meu desejo. Sob seus pés, gira o mundo das minhas fantasias incendiárias, posto que minha febre ferve o suor de minha corrida. Por ela. Pela curvatura de sua espinha, que lhe empina os seios macios e fartos, e leva-lhe a boca à distância de um impossível.
Antes, diante de tamanha doçura, caía eu no abismo do falso não-querer. Hoje, tempo transformado em maduro levar de gente ao finito do descaso, àquelas formadas ancas levo os olhos do querer e nada mais há a ser quisto: não posso ver-me refletido entre a moldura dos cabelos negros, retido nos espelhos ainda mais negros, olhos cerrados.
Em uma outra vida, talvez.
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